sábado, 6 de novembro de 2010

* Meus filhos podem participar da ceia do Senhor?

            A doutrina da comunhão apenas de adultos é um erro Romanista remanescente, que se incorporou à Igreja devido à adoção da doutrina da transubstanciação pelo Quarto Concílio de Latrão (em 1215). A comunhão é para os crentes e suas crianças. Este é o fato evidenciado pela relação da Páscoa com a Ceia do Senhor, pela natureza familiar dos pactos e sacramentos bíblicos, pela natureza de uma “ceia” e pelo registro histórico. Este assunto não é tratado explicitamente na Escritura, mas a evidência de que as crianças dos crentes devem ser incluídas na comunhão é substancial.
        A primeira comunhão ocorreu na Páscoa, quando Jesus serviu o pão e o vinho na refeição Pascoal. Porque a Ceia do Senhor se originou na Páscoa – de fato, foi na Páscoa, no tradicional passar do pão e do vinho em círculo, que Jesus falou Suas palavras que tornaram este passar num serviço separado – é razoável considerar a natureza da Páscoa para tentar discernir a natureza da Ceia. Isto é consistente com o princípio de 2 Timóteo 3:16-17, de que devemos olhar para as Escrituras do Antigo Testamento para nos ajudar a discernir doutrinas (2 Timóteo 3:16-17). Aqui, se o assunto é se as crianças devem ou não ser incluídas, é lógico que 2 Timóteo requer de nós que olhemos para o culto Pascoal para discernir a resposta.
            
A Páscoa era uma refeição da qual as famílias judaicas participavam, a despeito da idade dos seus membros (a refeição era para a “família” - Êxodo 12:3) e foi antecipado que as crianças perguntariam qual era significado daquele culto Pascoal (Êxodo 12:26). Além do mais, a Páscoa se focalizava, em parte, sobre as crianças, porque ela celebrava como o Senhor em Sua misericórdia livrou os primogênitos, mesmo os infantes (Êxodo 12:27-30). Assim, muito da Páscoa estava focalizado sobre as crianças e requeria a participação das mesmas. As crianças não ficavam em alguma outra sala, numa “igreja para crianças”. Portanto, se Jesus tivesse intentado que a Ceia tomasse um foco inteiramente novo (fora do foco das famílias, do primogênito representativo e da participação das crianças), então, Ele deveria ter assim dito. É um argumento à partir do silêncio dizer que Ele fez uma mudança, mas um argumento textual dizer que a Ceia do Senhor começou num culto que envolvia crianças. De fato, se as crianças estivessem presentes na primeira Ceia, teria sido requerido escrituristicamente que elas participassem. Se o próprio Jesus tivesse excluído as crianças, então, Ele teria quebrado a Lei! Porém, porque nenhuma criança estava presente até onde sabemos, aqueles que são contra a comunhão infantil tomam a oportunidade para sugerir que Deus fez uma alteração radical na natureza da refeição Pascoal, para de agora em diante excluir as crianças, sem qualquer passagem da Escritura para apoiar esta afirmação.
          Há dois argumentos, aparentemente baseados na Escritura, contra a comunhão infantil (também conhecida como pedo-comunhão). Primeiro, há o argumento que, visto que Jesus disse para participar da Ceia em memória dEle (1 Coríntios 11:24), somente aqueles que O conhecem suficientemente bem podem participar, o que obviamente exclui as crianças pequenas. Ironicamente, este argumento é facilmente desarmado ao se notar que a Páscoa era um culto feito em memória, mas, ao invés de excluir as crianças, ele as incluía e até mesmo antecipava que as crianças, não sabendo o porquê estavam fazendo aquelas coisas, pensariam em perguntar (Êxodo 12:26). Se é suposto que as crianças devem ser excluídas quando as coisas são feitas “em memória”, então, as crianças teriam sido excluídas da Páscoa e das outras cerimônias do Antigo Testamento, mas elas não o foram. “Em memória” não parece significar apenas que um crente lembrará o Deus que ele conhece, mas que o povo de Deus (que inclui as crianças dos crentes), como um todo, se lembrará dEle. Similarmente, muitos americanos celebram o 4 de Julho com suas crianças, enquanto tomam a oportunidade para transmitir a história do nascimento da nossa nação. Segundo, é sugerido que, visto que devemos examinar a nós mesmos antes da Ceia, para que não comamos e bebamos de uma maneira indigna (1 Coríntios 11:27-29), devemos excluir aqueles que não são crentes comprovados (mesmo embora, escrituristicamente, devemos presumir que nossos filhos são crentes, porque eles são santificados pelos seus pais) ou que são incapazes de examinar a si mesmos devido a uma falta de capacidade cognitiva. Se este argumento fosse aplicado à Ceia consistentemente, então os retardados e até mesmo aqueles do povo de Deus que já alcançaram o estado da senilidade, seriam excluídos, visto que eles não podem examinar a si mesmos! Deus reconhece que as crianças pequenas não são completamente responsáveis por suas ações. Mesmo que fosse necessário haver um exame para as crianças pequenas, seus pais seriam as melhores pessoas para decidirem se os pequeninos estão em rebelião, e não as próprias crianças. Portanto, esta limitação sobre a Ceia não exclui as crianças. Mas o melhor contra-argumento é simplesmente este: o próprio Antigo Pacto requeria que aqueles que sacrificassem deveriam assim fazer com um coração correto, e fazer de outra forma seria zombar de Deus. É sob o Antigo Pacto que somos primeiramente informados que é melhor obedecer do que sacrificar. Os crentes do Antigo Pacto deviam primeiro obedecer para então sacrificar. Da mesma forma, somos admoestados que seus sacrifícios seriam sem sentido se eles não fossem obedientes. A indignidade, que alguém descobriria via o auto-exame, era relevante para a Páscoa e os outros sacrifícios, todavia, as crianças eram obrigadas a participar. Por que uma continuação deste princípio no Novo Pacto faz com que, repentinamente, as crianças sejam excluídas? Não deveria ser assim.

          Olhando ainda mais para a Escritura para resolver este assunto, notamos que todos os outros pactos ou sacramentos de Deus foram para os crentes e a sua descendência. A noção de que as crianças devem ser excluídas de um sacramento não tem precedente na Escritura. Por exemplo, as crianças dos Levitas podiam comer a mesma carne dos sacrifícios que os pais deviam comer: a Páscoa já mencionada acima. Todas as referências às crianças no contexto dos pactos dizem que as crianças estavam incluídas no pacto. As crianças estavam explicitamente incluídas nos pactos. O outro sacramento principal após a ressurreição de Cristo é o Batismo, que é claramente para os infantes (se você não aceita isto, consiga alguns livros que defendam o batismo infantil e aprenda algo).

          A Bíblia chama a Ceia do Senhor apenas disto – uma “ceia”. Ela usa o grego “ diepnon ”. Esta é uma refeição noturna, não um pedaço de pão de manhã de Domingo (embora não esteja dizendo que não podemos tomar a comunhão nas manhãs de Domingo). Qual família exclui seus filhos da Ceia? Pelo jeito, somente as famílias modernas. Há outros termos que poderiam ter sido usados na Bíblia se a Ceia do Senhor não fosse realmente uma “ceia”. Mas isto não foi feito porque a Páscoa, quando a primeira Ceia aconteceu, é uma ceia, e não uma refeição especial onde as crianças são excluídas.
        A evidência histórica mostra que durante uma grande parte, provavelmente a maior parte, da história cristã, a pedo-comunhão era a norma. Ela ainda é a prática da igreja Oriental. A igreja primitiva a praticava (embora nem todos concordem que ela fosse comum nos primeiros dois séculos – embora não haja evidência substancial para mostrar que não). A Igreja Ocidental praticou a pedo-comunhão ordinariamente até por volta do décimo terceiro século, quando a falsa doutrina da transubstanciação foi completamente adotada e usada como instrumento para impedir a maioria dos adultos, bem como os infantes e crianças, de receber a comunhão. Os Reformadores, desafortunadamente, adotaram a noção Católica Romana moderna de que os infantes deveriam ser excluídos, usando alguns dos argumentos acima. Mas eles foram até mais longe no erro, fazendo a comunhão altamente exclusiva, somente para uma elite dentro da Cristandade, aqueles que eram suficientemente ensinados. O mesmo aconteceu com o batismo. Este não é o padrão bíblico. O padrão bíblico é a admissão ao batismo e à comunhão tão logo alguém se torne um crente verdadeiro. Alguém é excluído da comunhão somente em circunstâncias extraordinárias. Não deveríamos aceitar uma doutrina meramente porque um concílio da igreja aceitou uma falsa doutrina (transubstanciação) e viver com as conseqüências desde então.
          Em conclusão, deveríamos rejeitar a noção Romana de que as crianças podem cuspir sobre o sangue de Cristo e que, portanto, não podem participar da Ceia. Deveríamos rejeitar os argumentos modernos e anti-bíblicos de que as crianças não receberão nenhum benefício deste sacramento porque elas não são suficientemente inteligentes. Não deveríamos pensar que, se nossos pequeninos não podem examinar a si mesmos, então eles não podem participar. Devemos agora excluir os que sofrem de senilidade ou os que são retardados? Certamente que não. A idade não tem nada a ver com os pactos ou sacramentos, da mesma forma que João o Batista pôde saltar de alegria no Espírito, mesmo quando ele estava ainda no ventre de sua mãe. Deus deseja que nossas crianças participem plenamente da vida cristã. Deus irá nos ajudar se os excluirmos? Beneficiar-se-ão eles ao serem deixados de lado, na “igreja” pra crianças?

         “Luz” e “trevas” são termos frequentemente empregados na Bíblia para enfatizar o extremo contraste entre Deus e Satanás e entre aquelas coisas que Deus ama e aquelas coisas que Satanás ama. Deus ama a verdade, da qual Ele mesmo é o único autor. Satanás é o “pai das mentiras”, o autor de toda inverdade. Deus ama a santidade e a justiça, da qual Ele é a fonte. Satanás é o originador do pecado em rebelião contra Deus. Simplesmente não pode haver um erro maior do que atribuir trevas a Deus e ou luz a Satanás. Dizer, por exemplo, que Deus é “a favor” do direito de uma mulher escolher assassinar seu filho ainda não nascido ou que Satanás está atrás das tentativas de eliminar o aborto da proteção legal, é representar Deus erroneamente e em termos grosseiros. É blasfêmia! É chamar Deus de “Satanás” e Satanás de “Deus”. O mesmo tipo de coisa ocorre quando é sugerido que Deus “olha o outro lado”, quando maridos defraudam suas esposas, pois Ele entende que “os homens serão sempre homens”. Bobagem! Deus é extremamente claro: Ele julgará os fornicários e os adúlteros (Hebreus 13:4). Há quase inumeráveis outras formas nas quase a luz e as trevas são regularmente confundidas e mal-representadas em nossa cultura. Precisamos desesperadamente de um senso mais acurado de quão grande coisa é mal-representar a Deus! Nossos dias são dias de acomodação, mesmo dentro da igreja. Simplesmente, não é politicamente aceitável fazer declarações discriminatórias com respeito ao caráter e comportamento humano. Contudo, Deus faz tais declarações em Sua Palavra e nós faremos bem em atendê-las. 1 João 1:6 é um exemplo claro. Se professarmos conhecer e amar a Deus, enquanto nossas vidas são marcadas pelo amor e pela prática das trevas, mentimos para nós mesmos e para os outros. Deus faz com que Seus filhos amem Lhe amem, e por causa disso, amem a luz e odeiam as trevas. 
        Você precisa que Cristo produza esta transformação em você? Chame por Ele, então! Ninguém pode fazê-lo, exceto Cristo! E Ele está disposto!

por 
Rich Bingham

Pr Josias pereira de assis

presidente do Ministério da Reconciliação

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